domingo, 17 de maio de 2009

Espelho!

"Caminhando pela cidade, na noite, vejo olhos sem brilho, desesperados pelo que já está perdido, pelo que a maioria das pessoas procuram, que é o amor eterno. Vejo pessoas cansadas de tanto sexo e de nenhum envolvimento, de tantos beijos e abraços e de nenhum sentimento, de terem virado apenas números, coisas descartáveis, de pessoas dispensáveis. Corpos sacolejando nas baladas, olhares trocados nos bares, mas o vazio ainda continua presente como um precipício, como um muro entre as pessoas impedindo que elas tenham alguma coisa mais profunda. Quando vejo isso, uma nostalgia me assola e acabo pensando no passado, nos amores antigos, nas experiencias vividas. Nos tornamos uma coisa jamais vista, numa sociedade diferente, numa coisa jamais desejada. Será que querer o amor eterno é careta? Será que querer apenas uma mulher pra vida inteira é ser quadrado? Continuo a olhar pras pessoas e ver o buraco onde se enfiam, procurando no lugar errado as experiencias certas, procurando nas pessoas erradas o sentimento certo, desejando ter um amor para sí, uma amor verdadeiro, onde faça que nos tornemos uma pessoa melhor a cada dia, uma pessoa amada, uma pessoa feliz. Onde a cada abraço, a cada beijo, nosso coração suspire, nosso interior se aqueça, que o abraço seja tão forte e sincero que as almas se toquem. Continuo olhando e desejando que o mundo seja mais sincero consigo mesmo, que a esperança seja presente em todos homens, que a paz seja fundamental, e que o amor seja o sentimento que mova as pessoas. Mas na verdade o que vejo é o meu reflexo no espelho, vejo uma pessoa amargurada, que há muito perdeu a esperança na humanidade, no amor. Uma pessoa com o coração tão pesado de mágoas, rancores, que também espera o dia que o amor virá e resgatará ese ser, livrando-o de todo fardo, fazendo com o que o brilho dos seus olhos volte a ser evidente, que seu coração se torne leve e que ao olhar a humanidade, veja uma sociedade livre, amorosa e acima de tudo, pacífica."

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